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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Beatriz e Tiago



Aos quatorze anos, ele não era um adolescente normal como todo adolescente deve ser. De manhã, ia para a escola. Não sentava nem na frente e nem no fundo, não ficava quieto, mas não era do grupo da conversa. À tarde, ele ia pro inglês e aprendia novamente o que vi nos jogos. Além do inglês, fazia judô. Nunca passou da segunda faixa, mas não achava tão ruim usar o quimono. À noite, revezava seu tempo entre jogos on-line e o pornhub, mas estudava quando estava perto das provas, sobretudo para as provas de recuperação.
Nunca namorou, mas era seu sonho. Todas as noites, antes de dormir, pensava na menina mais bonita da sala, que era disputada pelos caras mais populares das festas que ele ia e nas festas às quais ele não era convidado. Nos seus devaneios, eles eram um casal. Namoravam há tempos, comemoravam datas importantes, trocavam presentes... Na vida real, eles mal se falavam. Pertenciam a grupos tão distintos que não tinha nem como conversar.
Beatriz era inteligente, linda e gostava de ler. Tiago era medíocre, pálido e assistia a filmes dublados. Ela era de classe média, ele era riquíssimo. Um dia, mandou flores, mas não assinou o cartão. Quem entregou foi o coordenador da escola que disse ser de um admirador secreto. Durante as noites, ele sonhava antes de dormir. Durante as noites, ela estudava antes de sonhar.
Aos trinta anos, Beatriz realizará todos os seus sonhos.