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terça-feira, 15 de junho de 2010

O Hobbit, de J. R. R. Tolkien - Resenha

         Quem nunca ouviu falar em Gandalf, Frodo, Legolas, Gimli, Aragorn, Bilbo Bolseiro e CIA? Pois é, O Senhor dos Anéis, um clássico da literatura universal, conseguiu uma notoriedade sem precedentes pela adaptação ao cinema, por Peter Jackson, e que ganhou nada menos do que onze Oscar, em 2003... Mas isso não é novidade pra ninguém, não é mesmo?
Entretanto, como vocês sabem, não existiria O Senhor dos Anéis sem que se houvesse O Hobbit, que está sendo adaptado ao cinema com produção do Peter Jackson. Mas você conhece o livro? Já teve a oportunidade de saber como o anel foi encontrado por Bilbo? Em como a espada Ferroada chegou até o tio de Frodo, além de saber como ele adquiriu a armadura de mithril? 
Tido por muitos como o melhor livro de J. R. R. Tolkien, O Hobbit tem os elementos necessários de um bom e consagrado clássico de fantasia medieval: guerras, magia, jornadas... Que começam a aparecer quando Gandalf, o Cinzento, procura Bilbo Bolseiro, o herói desta aventura, e lhe “oferece” uma missão: ser o ladrão da equipe de treze anões que seguirão para o extremo leste para tentar reaver um tesouro há muito roubado por um grande dragão vermelho dourado: Smaug.
A equipe, liderada pelo grande Thorin Escudo-de-Carvalho, segue em grandes aventuras, e enfrentam monstros e maldições, armadilhas e perseguições... A leitura de O Hobbit é imprescindível para os fãs da Saga do Anel, e, dificilmente, vai ter na adaptação, mesmo sendo por uma das melhores equipes de cinema da atualidade em se tratando de adaptação (d)e fantasia, todos os elementos sublimes e importantes da obra de Tolkien, que tem todo um glamour literário não estarão presentes em sua totalidade. E se você é um dos (loucos) que acha(ra)m a leitura de O Senhor dos Anéis enfadonha e muito detalhista, não se preocupem... O Hobbit é menos denso e possui um ritmo implacável que o prenderá do início ao fim.
E, sem querer me prolongar e contar muitos detalhes do enredo, digo que há uma das maiores e mais bem escritas batalhas de todas as literaturas já lidas por este mero resenhista que vos escreve... e se a equipe do filme conseguir retratá-la, o que de fato acredito, fielmente, nas telonas, será também a mais emocionante e perfeita batalha da história do cinema mundial.

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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Palavrão e Boca Suja

            Eles nasceram em Goiânia, como toda dupla sertaneja tem que nascer, mas ao contrário das demais, eles não plantavam tomate, nem tinham que comer ovo cru, muito menos eram filhos de ricos fazendeiros e formados em odontologia ou algo do gênero.
            Mirosrio e Durvalindo eram filhos de Francisca Joana, dona do cabaré mais famoso da grande Goiás, chamado Todarrô Lakiédura. Os dois cresceram em meio às putas, entre os bêbados e os errantes, aprenderam tudo que sabem naquele ambiente. A primeira palavra que Mirosrio aprendeu foi xoxota, ao passo que Durvalindo aprendia que chupeta não era um bico de borracha em formato de mamilo que serve para enganar o bucho do bebê.
            Durvalindo ganhou um violão da mãe ao fazer cinco anos de idade, um dia depois do aniversário de seis anos de Mirosrio, que ganhara uma sanfona velha e desafinada - Francisca Joana aceitou aqueles instrumentos como pagamento atrasado de um ex-cantor da região. Eles passaram o dia inteiro tentando aprender a tocar os tais instrumentos, além de passar o tempo entre um acorde e outro ouvindo as canções sertanejas mais famosas das rádios do centro-oeste.
            O tempo se passou, os meninos aprenderam a cantar e a tocar. Eles ficaram tão bons, lá pelos seus quinze e dezesseis anos, que resolveram compor as próprias canções, e como não tinham um grande conhecimento de mundo e rico vocabulário, compunham canções baseadas em acontecimentos do puteiro da mãe e com o palavreado apropriado.

Rapariga quero comer teu cu,
Mas não quero pagar mais por isso,
Pega logo o sabonete,
Pra amaciar a entrada do Roliço.

Meu pau ta doido pra te comer,
Garçom: chega de trazer cerveja,
Essa quenga já bebeu vinte e um,
E mesmo melada não quer me dar o cu.

Ô rapariga, ta de putaria?
Te dou mais dez se você chupar,
Boca macia sem dentes pra machucar,
Mas no seu cu que quero ir gozar.

Meu pau ta doido pra comer você,
“Vamo” subir que quero ir foder,
Comer seu cu é meu desejo agora...
Me chupa logo ou meu pau “istora”.

            A primeira vez que os meninos cantaram essa música, a primeira que eles fizeram, Desejo de cu, foram mais que aplaudidos no cabaré. Os frequentadores do estabelecimento gostaram tanto que os rapazes tiveram que tocar a mesma música a noite inteira... apenas as putas não gostaram, pois isso aguçou a criatividade dos fregueses...
            E foi assim que surgiu a primeira canção do Palavrão e Boca Suja, a dupla sertaneja mais odiada e amada de toda história da música regional de Goiás.