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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Matemática

Maria estava feliz, feliz!...
Conseguiu tirar 10 de matemática.
Matemática!
Queria cantar,
Queria gritar,
Queria dançar...
Até que recebeu, no dia seguinte, um telefonema.

*

Há semanas ela esperava a resposta de uma entrevista,
Iria ser vendedora de uma das maiores e mais chiques lojas do Midway Mall...
Achava que tinha feito tudo certo na entrevista,
Trabalhou no curriculum há dias e noite,
Pois não queria fazer igual, não queria...
E não fez.
Não fará...

*

Mas a prova de matemática foi 10!
Com essa nota ela poderá,
Mais no futuro,
Encontrar um emprego melhor que de vendedora de shopping...
Ela será gerente de uma loja maior, sim!

E a poesia?
E a rima?
Ela não sabe...
Ela nunca soube de literatura...
Seu forte, pelo menos agora, é matemática...
MATEMÁTICA!!!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Escolha ou não?

Há muito os poemas não me querem,
E há muito não quero saber deles...
Há muito não quero saber de nada,
Há muito só penso em uma coisa.

Mas o que é isso que a sociedade causa na gente?
Se escrever me alimentasse mais que alma, eu escreveria a todo instante.

Queria que não fosse assim,
Queria, mas meu querer não é o melhor pra mim?...
Não no lugar em que vivemos,
Não sob o modelo que nos rege,
Que nos impede de sermos iguais!
Nos obrigando a ser mais...

Mais,
Mas que mais?
Mais um dentre os 49?
Mais um que a ninguém comove?
Como se comover por escrever fosse preciso...
Mas eu preciso.
Mais que o mais eminente.

Eu sinto o que ninguém sente...
E todos sentem o que ninguém vê.

domingo, 14 de novembro de 2010

A INVASÃO – parte 1

– Você viu aquilo? – perguntou Pablo a Danilo que, perplexo, não conseguiu responder.
– Hei, cara, vamos... corra!!!
Danilo estava em estado de choque. Nunca vira uma nave daquele tamanho. Na verdade, nunca vira uma nave espacial, muito menos um alienígena.
A tevê noticiava a visita de extraterrestres... A força aérea brasileira toda em peso se posicionava estrategicamente em todas as direções possíveis. Outros países estavam também sendo invadidos, mas até aquele momento nenhum sinal de violência ou ataque era percebido pelas autoridades e pelos irmãos Pablo e Danilo, este com dez anos e aquele com treze.

“Autoridades mundiais firmaram acordo de não atacar até que sejamos atacados. É a primeira vez que a humanidade resolve não combater o desconhecido. Mas será que isso é uma visão pacifista ou medo de represálias... Isso é o que vamos ver após o intervalo, em trinta segundos” – disse Willian Waack, repetindo a notícia que os brasileiros, ou pelo menos a grande maioria, vinha acompanhando pela Globo.
Danilo permanecia atônito... A mãe rezava ajoelhada defronte a uma santa que estava em frente a uma vela acesa. O pai pregava as portas e as janelas, e dizia a todo o momento que estava arrependido de não ter colocado laje na casa ainda. Pablo também estava com medo, todos estavam com medo, mas, estranhamente, sentia que tinha que auxiliar o irmão, que há alguns bastantes minutos deu sinal de que logo iria sair do estado de choque.
Todos aqueles desenhos, filmes, e tudo o que tinha assistido sobre ETs não fazia mais sentido, é como se nunca os homens tivessem podido prever o que estava acontecendo. Já se passaram três dias desde o primeiro contato visual, mas ninguém tinha sido abduzido, ninguém havia morrido pelas mãos – se é que têm mãos, pensava – dos visitantes mais que inesperados. A agonia e a incerteza eram sentimentos presentes em todos, todos os nativos do mundo, mas, até agora, não havia motivo para pânico, e pânico é pouca coisa mais forte que o medo.
A televisão não dava nada de novo, e a mesma imagem era mostrada em todos os canais, sob pequena variação de ponto de vista, ângulo da câmera, qualidade... A Record mostrava uma grande nave sobre o Rio Tietê, ao passo que a Globo mostrava um objeto parado acima do Cristo Redentor como principal foco, o que não os impedia de mostrar algumas outras naves sobre o Brasil e sobre o mundo, que começava a cogitar outras formas de fazer contato... e essas outras formas envolviam armas nucleares.
“É impressionante o tamanho... Especialistas afirmam que os alienígenas podem destruir toda a humanidade e o planeta Terra em menos de dez segundos. O mundo se une na tentativa de não ser destruído por estes invasores...” – Willian Bonner, com muito menos olheiras que seu xará, no JN.
– Maria, você está há mais de três dias ajoelhada rezando... você precisa cuidar dos seus filhos... pare de clamar por ajuda do gesso e olhe as crianças enquanto eu vou, novamente, atrás de comida e água – Juvenal, pai de Pablo e Danilo, falou. O governo tinha proibido de qualquer comércio importante fechar, tais como mercados, farmácias, além de hospitais, unidades de assistencialismos, etc. mas quem respeita o governo nessas horas? Ou qualquer delas?
– Posso ir com você, pai? – perguntou Danilo. – Tenho medo de ficar sozinho.
– Mas sua mãe está em casa... e o Pablo vai cuidar de você.
Contudo, a esta altura, o próprio Pablo, tão forte, que gostava de fazer o irmão aprender o quanto era superior, precisava de ajuda. Um pai, nessas situações, não iria negar companhia aos seus filhos, mas não podia levá-los para a guerra de comida que acontecida lá fora, e nem deixar Maria sozinha na presença de seus santos.
Sem saber o que fazer, Juvenal decidiu tentar convencer sua mulher mais uma vez, em vão. E, na esperança de o tempo passar, decidiu se voltar à tevê mais uma vez... bem na hora em que era anunciado, em um canal ainda não citado, que os invasores tinham feito contato com o presidente da Organização das Nações Unidas, como se o pobre Ban tivesse o mesmo poder que Obama.
Rodrigo Slama (invasão - Cristo)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Senhor da Chuva

              Anjos e demônios, os seres mágicos mais antigos do mundo que se tem notícia, são os principais personagens de O Senhor da Chuva, livro do consagrado autor brasileiro André Vianco, que surpreende a cada página e prova que o Brasil também é terra de boa literatura fantástica.
                George, um traficante de drogas, é salvo da morte por um general angelical, Thal, que, num momento de compaixão a uma alma perdida, transcende um antigo código e permite, assim, uma guerra sem proporções calculáveis entre os seres da Luz do bem e do mal: a batalha negra. Esta batalha, há muito esperada pelos demônios, torna os anjos mais vulneráveis e conta com a participação dos homens, que, utilizados como objeto de ambos os lados, têm a missão, através de oração, de fortalecer os dois exércitos.
Os vampiros não ficam de fora desta história. Transformados para servirem de escravos para os demônios, esses seres sem alma também tem sua fatia na batalha negra, mas de que lado eles lutarão? Daqueles que os transformaram em demônios ou daqueles que carregam a luz que jamais irão possuir?
            E se não bastasse a luta entre Thal e Khel, líder dos cães infernais, e toda trama da estória, a linguagem também é um diferencial, pois prende o leitor por completo. Direto, mas com momentos de pura descrição poética, Vianco arroja e encanta com um estilo inconfundível e infalível, como provam os números e a legião de fãs que ele vem formando nestes anos.
            O Senhor da Chuva tem um final esperado, mas imprevisível.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Luto e Luta



Recebi, extremamente feliz, hoje, a notícia da vitória de Dilma Rousseff.
Feliz porque ela é a candidata de Lula, em primeiro lugar; feliz porque ela é PT, em segundo lugar; e feliz porque não será o PSDB a governar outra vez, mais feliz ainda porque seria José Serra o presidente caso o Brasil mostrasse extrema ingratidão.
Quem me conhece, desde alunos a professores, passando pela família, amigos e desconhecidos, sabe da minha simpatia pelo PT e pelo presidente Lula. Confesso que minha preferência para suceder o presidente mais popular e melhor da História do Brasil não era Dilma, mas o ex-deputado Zé Dirceu... Os motivos estão marcados na história, e quem acredita em sua participação no escândalo conhecido como mensalão deveria entender mais de política... mas não é de Dirceu que trato neste texto, nem de Dilma...
Logo após a confirmação da vitória de Dilma (o que acompanhei no site do TSE, mas confirmei no G1 – só pra ter o gosto de ver a Globo dando a notícia) me bateu uma tristeza alegre... mas o que é uma alegria de tristeza? Alegria porque o meu foto foi um dos 52,5 milhões de votos que elegeram Dilma, a primeira mulher presidente; porque o PT vai continuar fazendo do Brasil Um País de Todos... Mas a tristeza veio porque agora nós temos a certeza de que Lula está nos deixando, ou melhor, deixando de nos liderar.
Lula não vai ficar na História: ele é História.
A vitória de Dilma era certa e esperada desde que o PSDB laçou a candidatura de José Serra... um cara que só foi mais votado em Alagoas (sabe lá por que) de todos os estados da federação quando concorreu pela primeira vez à presidência, em 2002. Se fosse Aécio eu realmente tinha me preocupado (e ficarei daqui a quatro anos), mas Serra... Serra não é humano, o povo sabe... Pela sua irresponsabilidade Eloá morreu, um pedaço do viaduto do Rodoanel caiu, a enchente nunca foi maior em São Paulo que não teve nem sequer os bueiros limpos em seu mandato inconcluso, como sempre.
Meus poucos leitores devem estar achando este texto um pouco confuso, mas é a emoção (e um pouco de álcool) que governam meus dedos nesta hora em que eu fico feliz pela vitória de Dilma (foda-se se ela é a favor do aborto, a decisão de descriminá-lo não cabe a uma pessoa, mesmo que presidente, ou melhor, presidenta!), mas Lula nos deixará órfãos, e isso me entristece.
– Desculpe, Dilma, mas preferia Lula, preferia Dirceu... Depois deles, acho, que você seria mesmo a melhor opção. Faça o seguinte: telefone pro Lula, mesmo sabendo de sua capacidade, ouvir conselhos é bom; e chame o Dirceu de volta pro ministério... Sua popularidade não cairá, você está pegando um país anos luz evoluído em comparação ao que Lula pegou... não se preocupe, pois eu não me preocupo.
Se você que lê votou em Serra, reflita sobre o governo de Dilma, que será melhor que o de Lula... Se você votou em Serra, saiba que com ele você não estaria lendo meus textos, pois, mesmo que você tivesse computador, eu não teria, muito menos internet... Se você votou em Serra e não mudar sua postura de avaliação de um candidato, e, principalmente, de um partido, se mate, pois você não é gente.
Valeu, Lula!
Agora é Dilma, é a vez da mulher!...