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sábado, 7 de novembro de 2015

Menor que ninguém

Que sentimento é este que eu não consigo entender agora adulto, mas que fazia todo sentido do mundo quando as barbas ensaiavam olhar o sol?
Que maturidade é esta que me permite guiar, mas não me permite admitir a mim mesmo tudo o que acontece aqui dentro, que pede pra ser gritado, mas que depende, de repente, de um golpe de sorte do destino?
O vazio me enche e o desejo de deixar de existir para viver não tem tanta esperança.
O único motivo é o indesejo da morte, que cada vez chega desmetaforizada e assusta quem devia prezar pela vida.
Isto é um grito!
Um grito no silêncio da minha alma que se cala para deixar a razão dizer; que se perde num campo ermo escondido entre o que existe, mas não deveria se deixar saber.
Eu sou um covarde, um fraco. Um corpo vampiro que suga a energia da vida, mas não aproveita nada, apenas suga pelo egoísmo tolo, já desmistificado, mas que de tão sólido não move um centímetro neste vácuo.   
Eu sou apenas alguém / Ou até mesmo ninguém / talvez invisível / Que a admira à distância / sem a menor esperança / De um dia tornar-me visível"*
Eu sou um pássaro que nunca saiu da gaiola, mas que lutou para conseguir manter aporta aberta, que  se vale da maldade para ser temido, ouvido, mas desacreditado.
Me vendi por tão pouco. Eu me vendi ao diabo por algo que eu já tinha e tenho perdido. Me despedi definitivamente dos meus sonhos e vislumbro, através de uma névoa densa, uma distante luz, que poderia me salvar de mim mesmo e subjugar os metais que me enlaçam impedindo de subir às nuvens.
Caí. Desci. Fui onde ninguém deveria ter de ir. Para completar, não me perco sozinho, mas mato, sugo a vida – até quando? – de quem nunca me fez o mal, mas me impede de querer o bem.   
Este é um grito, um grito covarde, um grito de quem cala, continuará calado, até a morte iminente chegar de vez e acabar com toda agonia que esta vida promissora não me deixou encontrar ou entender.

*supostos versos de Renato Russo.