Páginas

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Derramamento


Não perdi a minha alma,
Não a tive.
Perdida, caso fosse
Choraria a sua morte.
Mas chorar por qual motivo?
Eu não torno a mim,
Muito em mim grita um vazio feroz.
Queria velar a minha alma,
Mas que inundada, mas não.
Ainda tenho, sim, saudades do que nunca enlacei,
Dos sonhos que nunca sonhei,
E nem mais me resta esperança...
Vivo com pena de mim,
Pobre menino real,
Que deixei de fazer afinal?
Foi um sonho, um lapso, uma fuga?
Me perco em palavras que não são minhas,
Me acho em lugares que não existem,
Em pessoas que não conheci,
Em um silêncio que maltrata e amargura
Em uma lágrima que se derrama e não semeia...
Perco, aos poucos, a fonte da vida,
E não vou nem volto, apenas permaneço
Esperando que o mundo acabe,
Esperando que o tempo não passe, não volte e não fique.

Não me perdi em mim,
Não me conheço.
E hoje, quando me sinto,
É sem saudades de mim.


Nenhum comentário: