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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Papel



Papel, papel... pra que tanto papel com coisas escritas a contragosto? Pra que gastar o tempo da nossa vida com algo quase inútil por alguns papéis coloridos com números que não são nem tão altos assim?... Tudo na minha frente é papel... papel... papel com pauta, pauta cheia de escrita, escrita vazia de significados, de gosto, de zelo, de capricho! Às vezes, bate uma agonia, uma tristeza, uma vontade de ir embora pra um lugar que não conheço, viver uma vida que não é a minha, uma vida menos confortável, mas com mais dignidade! Era tão bom quando os únicos papéis que via à minha frente eram brancos, sem pauta... livres, prontos para serem preenchidos com produtos de uma criatividade que está sufocada numa gaveta escura de um quarto vazio de uma casa abandonada sucumbida por um empreendimento imobiliário padrão classe média-média. E é só papel, papel... mais papel... papéis que não dão prazer, papéis que choram por terem sido arrancados da terra em vão... papéis brancos, caros, que são tratados como depósitos de pensamentos rasos e ideias mal desenvolvidas... de gente que não faz por onde crescer, que se confia no bolso do sustento, na panela cheia em cima do fogão, no frigobar no quarto, na água mineral desperdiçada... Papel e mais papéis que abrigam linhas desformes, linhas cretinas, linhas cruéis, chatas, arrogantes, superficiais. Chega de papel preenchido com porcaria! Mais papel em branco, por favor.

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