Páginas

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

E quando meus dedos acham que é hora de começar a trabalhar por conta própria

        




        E quando meus dedos acham que é hora de começar a trabalhar por conta própria, aproveitar as férias da caneta para dedilhar as histórias acumuladas na mente - que vem sofrendo de aprisionamento perpétuo -, a realidade lhe mostra que ainda não acabou... e, quando acabar, o tempo será um implacável coronel que manda em tudo, nos civis, nos covis, nos cortiços... 
         O sono, que sonho, poderá se estender um pouco, mas não conseguirá se acostumar pela iminência do toque de recolher da imaginação e desrecolhimento do corpo que precisa levar a cabeça pra trabalhar... que precisa andar por aí... andar de lá pra cá esperando que a vida melhore no verão seguinte, mas que sempre aparece sufocada pela necessidade de se continuar a deixar se levar pela correnteza que a cada dia se agita mais e parece o próprio mar de tão grande, de tão importante, de tão independente. 

       E aquele menino que até anteontem tinha sonhos, que queria ajudar a mudar o seu próprio mundo, não está vendo tudo num encimadomurismo covarde, e, por isso, não tem frequentado nem festas das periferias. O que ele preferiria hoje? Não sei... ele parece estar morto, inerte, infeliz e desesperançoso... mas o adulto o qual ele subsidia ainda tem caminhos a percorrer, mas como fazer se nem os dedos que achavam que a hora de começar a trabalhar por conta própria conseguem se concentrar em ser explorados por uma mente cansada?

Nenhum comentário: