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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

E todas as noites não têm mais luar




Naquele dia, junto ao mar, quando as ondas beijavam a praia e a fogueira de papel iluminava o nosso sarau, eu a conheci. Eu não tinha nada, e vi... vi um sorriso singelo de menina, uma música envolvente, bons amigos que se foram, mas ali, apenas, ela, a lua e eu.
Caminhávamos na praia naquele veraneio de anos atrás. Eu já sentia que ela era minha, mas, com um outro que fazia o meu bem chorar, o beijo sonhado não acontecia e eu ouvia sem muito entender: - Não quero que nos vejamos mais, estou me apaixonando por você.
Hoje, no espelho, não me reconheço. A barba já está deste tamanho, a barriga deste... Sinto as dores da idade e, há anos, sei que ela não é mais quem conheci, quem guardei no coração partido que restou depois do último beijo com misto de profecia, ternura, desejo reprimido e compaixão.
Agora é tudo ausência, mas não mais espero... nem desespero... apenas vivo com alguém que segue tentando sobreviver à vida vazia. Sobrevivo com a certeza de que se fosse diferente seria muito diferente do que foi imaginado, sonhado, devaneado em horas de pensamentos-sentimentos que não deveriam mais votar, causar dor, trazer um inferno momentâneo, mas já que não dura tanto tempo assim.
E esta falta, que agora é uma presença constante, o meu jiló, não supera a falta que a lua, não aquela que acompanhava a mim e a ela, mas a minha lua particular, que ficou tão pouco, mas que brilhou bastante... Esta dor eu sentirei consciente, pois, por minha tolice, por não conseguir quebrar uma barreira que até hoje me é muito cara, deixei passar, e parece que eternamente, a capacidade de viver um breve eterno amor. 

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