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segunda-feira, 18 de julho de 2011

A segunda Lua




Eu cresci ouvindo Cássia Eller cantando O segundo sol. Era até de se esperar que isso um dia acontecesse, mesmo fora da literatura, do mundo fantástico, mas não aconteceu. Mas a Lua, outra Lua voltou para minha vida... de forma inesperada... Talvez o último poema que escrevi fez efeito, mas em outra pessoa, na situação diferente... E me sinto, agora, díspar, como se não me reconhecesse, como se não estivesse no meu corpo, no meu feio corpo... como se meu espírito pairasse no ar, na órbita da Lua, da nova Lua, da segunda Lua.
            Se a Lua tivesse lido o meu poema eu não saberia, mas eu não faço mais questão da Lua antiga, mas da nova Lua... tão bela... tão mais bela... Ah, como eu gostaria de poder dançar sobre a Lua... só eu e a Lua... Sentir sua branca pele, seu cheiro maravilhoso...
            Oh, Lua, estou encantando com este sentimento que renasce em mim... Hoje mesmo estava lembrando de Mário de Sá-Carneiro, e repetindo em voz alta:

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...)
            
            Agora, estou tentando não perder a minha alma, não viver com ela perdida, mas ao mesmo tempo peço um pouco mais de sol um pouco mais de azul... o golpe de asa já me arrasou, deixou o comboio de cordas a 110, 120, 160... E perco, agora, novamente, a medida de amar. Me explique, por favor, o que é paixão!
            É fato que algo tenta me impedir, mas não hesitaria em arriscar, não. Afinal é a Lua que está me esperando. Será que ela também me almeja, ou foi apenas um alarme falso, uma visão do paraíso que talvez nunca eu consiga alcançar?... Um paraíso em terra, a Lua na Terra...
            Ai como eu queria encontrar palavras para escrever... não que a prática me falte, mas não consigo buscar no meu curto vocabulário um termo capaz de dizer o que sinto, o que estou sentindo e tentarei a todo custo evitar... mas não para a Lua... a segunda Lua... a segunda chance, que põe a ‘felicidade’ e a cumplicidade em xeque por conta de uma aventura fantástica... Esta Lua, sinto, é a mais importante de todas as Luas do universo...
Um homem, ele pisou na Lua, eu jamais faria isso... Eu não sei como pisar no coração de uma mulher, não saberia maltratar a Lua, mesmo se ela quisesse... eu apenas dançaria consigo como um bailarino encantado... encantado com um sorriso perfeito, com olhos perfeitos, com uma pele perfeita, e, principalmente, abraços que parecem ser perfeito...
            Oh, Lua, linda e formosa Lua que está acima dos meus mais ousados sonhos, se estiver lendo isso, e se entender o que minhas pobres palavras querem dizer, saiba que desejo dizer segredos em sua orelha fria, arrepiada com a proximidade dos meus lábios. Você despertou em mim, pobre menino ideal, algo que eu achava que tinha morrido há tempos: a vontade de amar, e não amar apenas por empenho, mas por ser fraco, e por deixar minha grossa camada ser penetrada tão facilmente pelo seu olhar.
            Só espero não estar me enganado, ai de mim, pois vi um olhar que em teus olhos se fitava. Ouvi outro suspiro... d’esperança! Mulher do meu amor, meu serafim, teu olhar, teu suspiro me matava... e eu só espero, Lua, que este olhar tenha sido por mim.

2 comentários:

Não tenho nome .... tenho dedos que se identificam no teclado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Não tenho nome .... tenho dedos que se identificam no teclado disse...

Lua ... com cuidado de Ícaro noturno, soturnamente silencie o que não se pode dizer ... já que não há palavras que digam o que queremos dizer porque dizemos o que querem entender, mesmo que digamos o que dissemos que queríamos dizer ...
Ícaro da noite ... as Luas que luam nuas em nossas almas denudas podem acordar nossa calma enfurecida ...