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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Carina e a doença rara

Há quem reclame da vida à toa, há quem reclame da vida com razão.
            Carina é uma jovem mimada, que nunca soube o que é trabalho pesado ou que exija muito de seu intelecto pouco desenvolvido. Na verdade, ela é professora estagiária, mas, ao invés de dar aulas, passa filmes – nada didáticos – para poupar algum esforço. Seu pai é militar da reserva, o que a deixa numa situação confortável, além de não precisar gastar, nem mesmo com absorvente, um único centavo furado do seu salário de setecentos reais, que ganha só para babar os ovos botoxicados do chefe.
            Há seres humanos que nascem com algumas qualidades como: bondade, gentileza e respeito aos mais velhos, porém Carina parece não ter recebido certos cuidados da parte dos seus genitores que, através de uma péssima educação, lhe proporcionaram apenas um grande talento pra espalhar inimizades e nojo naqueles que a cercam.
            Carina nasceu com uma rara anomalia: ela não sente calor, mesmo no auge dos seus cento e cinquenta e sete quilos. O que desencadeou essa doença foi o desejo incontrolável que ela tinha de morar na Europa, já que sentia imenso calor na sua terra natal, Bangu, bairro mais quente do subúrbio do Rio de Janeiro.
            Certa vez, no setor em que trabalha, aconteceu algo estranho; o ar-condicionado deixou de funcionar. O que uma vontade incontrolável de ver as pessoas ao redor passando por uma sensação parecida com a que tinha antes de treinar seu cérebro pra sentir fio até debaixo de um sol de quarenta graus não faz? Graças a Deus, depois de um tempo, trocaram o ar da sala. Nossa! Os funcionários do setor viram brilhar uma esperança no horizonte.
            A nova chefe do setor, uma mulher de coração quente, deixou bem claro que quem sentisse frio que trouxesse o casaco, já que é mais fácil se proteger do frio do que do calor, não é mesmo? Xiii... Carina perdeu as forcas!? Não... ela até aturava o ar frio, se bem que o que ela tem não é uma rara doença que a impede de sentir calor, não!... O que ela sente é uma incontrolável vontade de fazer o mal. Imagine: quando só ela e suas duas seguidoras da maldade estão na sala com outra pessoa que não a chefe, o ar tem que ficar desligado, já que nem o meio termo é suportável, mas quando a boa chefe está em sala é outra história... o ar fica no máximo e ela não dá um pio, ou melhor, uma cacarejada.
            Outro sintoma da doença rara de Carina é a incontrolável vontade de contar o início, o meio e o fim dos livros que não lê – pega tudo na internet –, o que faz com que seus colegas de trabalho tenham que esconder os livros que leem e evitarem de falar sobre cinema quando a inconveniência em forma de pessoa está dando o ar de sua desgraça.
            Pois bem, leitor, tome cuidado com pessoas como Carina. Elas têm uma doença rara, carregam excesso de maldade em seus corações de pedra brita, que só guardam espaço para verter sentimentos anti-sociais, contra os valores da sociedade e da boa amizade. Carina ainda tem uma velha mania... anda pra cima e pra baixo com um vibrador de dezessete polegadas na bolsa, percebi isso quando, num vacilo, ela tirou, pra dar umas espetadas, o boneco de vu duo com minhas característica e um chumaço dos meus cabelos negros e lisos, que não sei como ela conseguiu.



7 comentários:

Taty disse...

É, meu caro, conheço pessoas assim... E o pior: são parentes..rs

Fernanda disse...

Gostei do Post! Já pensou em divulgar também no www.plik.com.br ?

monamm disse...

Sim, o que não falta no mundo são Carinas.

Laryssa Oliveira disse...

Mais um grande texto! Adorei!

Ai nossa!! disse...

Posso te contar uma coisa?? Esa doença não é nada raro.. rs.. conheço muita gente assim! Acho que pessoas bondosas e humildes que estão raras hoje em dia!

Rafael disse...

KKKKK como isso foi parar no ocioso.
Eu acho q vc esta apagando os comentarios negativos de teu blog... KKKK mas achei engraçado o q vc escreveu, um drama humoristico q não se ve sempre.

Rodrigo Slama disse...

Não, caro Rafael... Não apago nenhum comentário, negativo ou não...
Não tem nenhum tipo de censura ou moderação neste blog...
Olhe as outras postagens e você verá muita gente me descendo a lenha...
Até mais!