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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vinho. Beba que é bom!...

Interessante como a mídia atua em nossas vidas, seja no presente de natal que estamos comprando, ou mesmo nos nossos hábitos.
Há poucas semanas, no Globo Repórter, assisti uma reportagem que apontava os maravilhosos efeitos da ração humana – mistura de cevada, linhaça, e outras farinhas –, sobretudo na questão da perda de peso e tudo mais... esta mesma farinha, essa semana, em algum jornal eletrônico que não me lembro qual foi (e estou com muita preguiça para procurar) foi apontada como um sucesso. Na semana passada, se não me engano, este mesmo programa passou uma reportagem sobre a obesidade nos EUA ou algo do gênero... Hoje, exatamente agora, quem estiver lendo pode ligar a TV e ver pra crer, o Globo Repórter mostra uma trabalhada reportagem sobre o vinho... sim o vinho.
            Eles estão dizendo que beber regularmente vinho faz bem... faz bem para o coração, para a pele, para o vigor, para emagrecer... Ora, quem disse que ser gordo é doença? Tomando as dores da minha classe, me proponho neste texto a questionar o lugar dos quilinhos a mais na sociedade... sim na SOCIEDADE, não na barriga...
            Com mais esta reportagem, a Rede Globo reafirma o modelo de beleza vigente na sociedade... e incentiva, com moderação – ou modalização – o consumo de bebida alcoólica. Não que eu tenha algo contra, de vez em quando também me arrisco num cálice de vinho, ou numa vodkazinha leve... mas daí a beber todos os dias, em todas as refeições?...
            Não sei até que ponto a ciência incentiva isso, aliás, agora, buscarei outras visões sobre o consumo do vinho, que, segundo vejo agora, é uma maravilha... invenção divina para o bem da saúde e da beleza dos homens e mulheres. Reafirmo que não tenho nada contra o vinho. O próprio Jesus fez vinho, um dos Seus milagres, e, dizem as escrituras sagradas, foi um vinho maravilhoso etc., mas não me lembro de ter lido que Ele bebia vinho várias vezes ao dia, ou todos os dias...
            Enfim... se o vinho for bom, tomemos então... se não, continuemos bebendo de vez em quando, mas acho que um consumo frequente de uma bebida alcoólica – sobretudo numa sociedade ainda carente de esclarecimentos como a nossa – não é uma coisa que deveria ser incentivada pela mídia, muito menos pela ciência... 

2 comentários:

Lievin disse...

kkkkkkkkkkk...homi...deixe de ser cético e passe a vestir a roupa que sua graduação lhe deu. você faz parte da elite pensante do planeta e não deve se deixar levar pelo senso comum barato que existe por aí. Obesidade é doença, quer você acredite ou não (e conhecendo você provavelmente estará blasfemando dizendo: "eu acho e pronto" e estará completamente errado, como todo cabeça dura sempre está \o/), mas ela nao é contagiosa, mas sim adquirida. Deve ser por isso que não é tratada como doença por você. E a ciência já divulgou e provou (sim, a ciencia prova as coisas e estamos vivendo a era da ciencia onde as coisas precisam ser provadas) que o vinho faz bem à saude. Muito antes de Jesus já existia a vinoterapia. A ciência de hoje é paga para mostrar à sociedade suas pesquisas. Sempre existirá os arcaicos que lutarão para combater a ciencia. Os cientistas, mesmo morrendo queimado em cruz, enforcado ou afogado, sempre farão ciencia para a sociedade. o/

Rodrigo Slama disse...

A questão, meu caro, não é se o vinho faz bem ou não, ou se a obesidade mata, ou se eu sou obeso et cetera... Este post visa alertar sobre o poder de manipulação da mídia, e, logo, o poder que a mídia exerce na sociedade, inclusive criando (ou pelo menos ajudando a manter) o padrão de beleza, além de fomentar novos motivos para a criação e manutenção do preconceito contra os “não-padrão” da sociedade moderna.
Não cabe a mim julgar os poderes benéficos do vinho, ou seus malefícios... Se não percebeu, biólogo, minha intenção aqui, repetindo, é alertar para os artifícios da mídia, e, lembre-se, que as pessoas, hoje, não são produtos da ciência ou religião que queima os cientistas, mas da mídia. E ao defender a influenciação em massa e a manipulação da mente do público, algumas pessoas (não intencionalmente) compactuam com seus métodos de criação e/ou manutenção de ideologias na sociedade.