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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

“De um lado este carnaval, do outro a fome total...”

Mais um ano termina, mas não se engane, não é Réveillon, é Carnaval!
É claro que todos já sabem que nosso burocrático país só começa depois da Folia da Carne, e, sendo assim, não preciso gastar meus dedos falando disso, ou pelo menos não explicitamente, não agora, não novamente.
Carnaval todo mundo gosta, até mesmo os crentes, já que fazem “retiro religioso”, assim como os antissociais como eu, ou melhor, antissocial não, porque convivo muito bem nesta nossa sociedade, mas o termo mais adequado é antimultidacional... não estranhe o neologismo forçado e sem graça, mas há pessoas, e, como dito, me incluo nestas, que não se sentem felizes no meio de centenas de pessoas suadas, bêbadas, que dançam sem nem entender a música (infelizmente tenho que tratar axé e swingueira por música, né?), que acham que por cinco ou seis dias podem esquecer a cordialidade, o bom senso e o respeito ao próximo, se é que se lembram disso nos outros dias... Os antimultidacionais gostam do Carnaval, ora bolas, porque é feriado, claro! Só voltamos, geralmente, na quinta para o trabalho, ha-ha-ha.
Neste período hipócrita, eu geralmente fico em casa botando a leitura em dia, assistindo aos filmes que adio por falta de tempo, por ter que estudar e corrigir provas nos fins de semana... essas coisas de gente careta. Mas sim, eu já pulei muito Carnaval – quando eu era solteiro, por isso, já percebe-se que meus motivos eram completamente entendíveis, ou pelo menos é uma boa desculpa para me excluir do grupo, ou melhor, da multidão que curte o Carnaval por gostar das músicas, das bebidas, da fuleragem recíproca...
Historicamente, é sabido que no Carnaval a pessoa se... deixe-me ver... se entrega de Corpo e Alma, entende? O homem, que sonha em ser mulher um dia, mas é machista e homofóbico o suficiente pra discriminar os gays, travestis e afins, sai no Bloco das Virgens, Quengas, ou seja lá como você chama aí aquele bando de gente que quer trocar de sexo por um dia, pelo menos. Mas olhe bem!, não estou dizendo que todos os que saem são homofóbicos, mas todos querem transgredir as regras que impõe ao homem não poder usar saia ou se maquiar, só no Carnaval.
Só no Carnaval você arrocha um traveco, só no Carnaval você trai sua esposa, só no Carnaval você é Feliz. Por quê? Por que o homem não se permite Viver todos os dias do ano, ou pelo menos nos finais de semana? Sim, porque no Carnaval você faz tudo o que faz porque gosta, porque quer (não vou entra no mérito, mas até este querer é condicionado)... Aí entra num paradoxo enorme já que se acha preso a costumes impostos. Ora, você deixa suas moedas para o GACC, mas gasta centenas de reais em cervejas e outras bebidas. Você reclama do país, da educação e gasta suas energias pulando ao invés de protestar. Você sente pena do Haiti, mas desce a lenha em Lula por ter ajudado. Você fala mal do seu vizinho, mas sai com ele nas Quengas. Você convive com alguém em regime de fidelidade o ano todo, mas um passa chifre (e leva também) por cinco ou seis dias...
O ano Começa no Carnaval.
O ano Termina no Carnaval.
O ano É no Carnaval!
Os outros 360 dias são Quaresma!

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