Páginas

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

“Ano Novo, vamos malhar e tomar suplementos?”... Comigo não!

Como boa parte dos sedentários de anos a fio, prometi a mim mesmo começar 2010 numa academia, e, como a minoria destes mesmos sedentários, me matriculei e consegui completar uma mês de treinamento, ou, como chamo em meus pensamentos sigilosos até agora, tortura comprada.
... O foda da academia não é nem ter que ficar horas na esteira ou gastando tempo à beça puxando e empurrando ferro... não, não mesmo! Não vou entrar no detalhe da tentação que as companheiras de treino causam, não vou, não cabe aqui, pelo menos por enquanto. O que eu queria abordar neste texto, não é nem o fato de eu estar malhado, já que, como sabem as poucas pessoas que acompanham o que eu escrevo, eu não perderia meu tempo falando de mim, ainda mais coisas do tipo: vou ao cinema amanhã, to ansioso pra assistir Preciosa.
A única coisa na academia que me dá vontade de escrever, como sempre, é a capacidade que o ser humano tem de querer ser esperto em cima dos outros, da impressionante capacidade que o homem tem de tirar vantagem de tudo, de todos, ou, ainda, de situações que mereçam ser contadas.
A primeira coisa que o instrutor me perguntou era se eu já tinha malhado, disse que sim, ele me mandou ir pra esteira e depois fazer um pequeno circuito pra torar logo meus músculos, como quem diz: “você é o aluno, posso te fuder e você não vai nem perceber”, ou então: “você é o gordo aqui, não discuta comigo porque sou formado em educação física pela UnP”...
A segunda coisa que ele me perguntou é se eu tinha problema com insônia, pensei, esse cara é viado e quer saber se vou dormir ou não depois do cigarro. Mas não, não foi isso!, ele queria saber essa informação porque tinha um produto, um “complemento alimentar que vai te fazer queimar mais calorias, além de te deixar com mais vontade de malhar”, como se eu ter pago R$ 50,00 de matrícula e ter acordado duas horas mais cedo do que poderia e deveria não fosse prova pra mim mesmo de que eu quisesse malhar, ora. Respondi que no momento não queria, que queria perder peso por mim mesmo. Pô, na antiga academia que eu malhava eu emagreci sem ninguém me sugerir produtos industrializados ou não.
Beleza, o cara disse que quando eu me decidisse poderia procurá-lo. Semana seguinte ele disse que percebeu que eu estava cansado, e que precisava tomar energético... cara, eu mal conseguia levantar da cama, pô, nos dias que sucederam ao começo da academia, eu quase não conseguia lavar minhas partes, daí vem um galado me dizer que tô precisando de energético... disse mais uma vez que se quisesse o procuraria.
Duas semanas se passaram, o cara perguntou mais umas cinco vezes se eu queria o tal produto, porra, já tava desconfiando que ele tava me fazendo ralar dobrado pra eu me sentir fraco e comprar a merda do energético, suplemento, ou seja lá como chamam esses negócios. Mas nessa última semana ele mandou a real mesmo, “academia é 50 %, você tem que tomar o produto, toma dois potes e depois de três meses toma mais dois, você vai emagrecer rápido... eu falo com meu irmão, ele traz, é só Trezentos e oitenta reais”...
Agora me diga, é foda, não? eu pago a merda da academia, ralo que só a porra, e o cara diz que o produto me emagrece... Se eu quisesse esses métodos eu não acordaria cedo, ficaria exausto sem precisar, não teria que torcer o suor da minha camisa todos os dias antes de tomar banho... Trezentos e oitenta reais? é brincadeira!...

Nenhum comentário: