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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Mentes sem lembranças ou sofrimento?

Há coisas que valem a pena serem lembradas, outras nem tanto.
Gostaria, por exemplo, de esquecer o beijo de cupuaçu que ganhei de uma certa min-nin-na que muito amei na minha adolescência reprimida; da vez que mandei minha mãe tomar no cu quando estava na 5ª série, que insistem em chamar agora de 6º ano...
Se bem que aquele beijo não é digno de ser esquecido, ele tem que ser lembrado como a única coisa boa que me aconteceu enquanto amava a pessoa errada... Eu também não posso esquecer que xinguei minha mãe, mesmo que ela tenha já esquecido disso, talvez. Talvez valha ainda a pena lembrar de tudo.
Ai de mim se pudesse apagar a memória... Se pudesse não apagava esses fatos, afinal minha mãe já me perdoou há anos, e o beijo até que foi bom, muito bom. Se realmente eu pudesse apagar algo da minha memória, eu apagaria coisas que hoje me fazem uma pessoa menos feliz, ou mais infeliz, pra quem preferir.
Pois aconteceram coisas, que eu nem participei, que contribuíram de verdade para minha incompletude diante do amor... Mas será que existe amor perfeito?, pessoas perfeitas?, sonhos? Os artigos e opiniões que defendem que quando a paixão acaba o amor fica monótono e enfraquece são passíveis de certeza? Não sei.
Não sei se gostaria de apagar minha memória... Não! Não? Sem hipocrisia eu, se pudesse apagaria sim a memória... E talvez pensasse com a razão, como dificilmente faço, antes de dizer – sim eu quero uma formatação parcial, doutor? Apague isso que ouvi, essa foto que vi, aquilo que fiquei sabendo, e, principalmente, o que inventei, principalmente os rumores que eu mesmo criei na tentativa impensada de sofrer a cada dia mais.

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